sábado, 13 de dezembro de 2025

Crítica à Privatização da SABESP e aos Aumentos nas Contas de Luz




 Crítica à Privatização da SABESP e aos Aumentos nas Contas de Luz


A recente decisão de privatizar a SABESP (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) e os recorrentes aumentos nas tarifas de energia elétrica representam um preocupante retrocesso nas políticas públicas brasileiras, com graves consequências sociais e econômicas.


A Falácia da Eficiência Privada no Saneamento


A justificativa para a privatização da SABESP baseia-se no discurso da maior eficiência do setor privado. No entanto, essa narrativa ignora que:


· A SABESP é uma das maiores empresas de saneamento das Américas, com reconhecida expertise técnica

· O modelo público permitiu universalização significativa do acesso à água e esgoto no estado

· Lucros antes reinvestidos no sistema agora serão distribuídos a acionistas

· A regulação pós-privatização frequentemente falha em proteger o interesse público


Impactos Sociais da Mercantilização da Água


A privatização transforma um direito humano fundamental em commodity:


· Tendência histórica de aumento tarifário acima da inflação em empresas privatizadas

· Riscos de exclusão de comunidades pobres e periféricas

· Perda de transparência e controle social sobre decisões estratégicas

· Priorização de áreas lucrativas em detrimento de regiões com menor retorno financeiro


A Crise Energética e o Custo para a População


Os aumentos nas contas de luz agravam a crise do custo de vida:


· Reajustes tarifários que superam o poder aquisitivo das famílias

· Modelo de concessões que socializa prejuízos e privatiza lucros

· Insuficiência dos programas de desconto para população vulnerável

· Falta de investimentos adequados em matrizes energéticas acessíveis


Alternativas ao Modelo de Privatização


Em vez de privatizar, seria necessário:


· Fortalecer o controle social e a transparência nas empresas públicas

· Implementar tarifas progressivas que protejam o consumo básico

· Investir em eficiência operacional mantendo o caráter público

· Desenvolver modelos de gestão participativa com comunidades


Conclusão


A privatização da SABESP e os aumentos abusivos nas tarifas de energia refletem uma escolha política que privilegia o lucro de poucos em detrimento do bem-estar coletivo. A água e a energia são direitos fundamentais e bens públicos que devem permanecer sob controle social, com gestão transparente e orientada para o interesse da maioria da população, não para o retorno financeiro de acionistas. O Estado precisa cumprir seu papel constitucional de garantir o acesso a esses serviços essenciais com equidade e justiça social.

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