quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

"É Assim que Acaba": Romantizando o Amor ou Romantizando o Abuso?

 O livro "É assim que acaba" (It Ends With Us) da autora Colleen Hoover gerou diversas discussões e polêmicas, especialmente após seu pico de popularidade no TikTok e em outras redes sociais. Abaixo, os principais fatos polêmicos associados à obra:


1. Romantização de relacionamentos abusivos


· Crítica central: Muitos leitores e críticos argumentam que o livro, apesar de abordar a violência doméstica, acaba por romantizar comportamentos tóxicos e abusivos do protagonista masculino, Ryle Kincaid. Cenas de controle, ciúmes excessivos e agressões são seguidas por reconciliações emocionais que podem passar a ideia de que o amor "cura" ou justifica o abuso.

· Defesa da autora: Colleen Hoover afirmou que escreveu a história justamente para mostrar a complexidade de sair de um relacionamento abusivo, baseando-se parcialmente na história de sua mãe. O prefácio e as notas da autora ressaltam que a intenção não era romantizar, mas sim retratar a dificuldade das vítimas em romper o ciclo.


2. O final e a mensagem


· O desfecho, em que a protagonista Lily escolhe se separar de Ryle, mas mantém uma conexão co-parental amigável, foi considerado por alguns como realista (mostrando que nem todos os agressores são "monstros" unidimensionais). No entanto, outros viram nisso uma normalização do convívio com o agressor, minimizando os riscos e traumas emocionais.


3. Representação inadequada de temas sensíveis


· Alguns leitores consideraram que a abordagem do abuso e do trauma foi simplificada ou insuficiente, especialmente em um livro classificado como romance. A mistura de elementos típicos de romances leves (como triângulos amorosos e cenas cômicas) com temas graves como violência doméstica e estupro conjugal gerou desconforto.


4. Cenas gráficas e gatilhos emocionais


· O livro contém cenas explícitas de violência física e emocional, além de referências a tentativa de estupro marital. Muitos leitores relataram que não estavam preparados para esse conteúdo, já que a divulgação nas redes sociais muitas vezes o apresentava como um "romance emocionante" sem alertas adequados sobre os temas sensíveis.


5. Marketing nas redes sociais (BookTok)


· A popularidade no TikTok (#BookTok) focou inicialmente em momentos românticos e dramáticos, sem destacar suficientemente o conteúdo pesado. Isso levou muitos jovens a lerem o livro esperando um romance convencional, e depois se depararam com cenas de violência doméstica sem aviso prévio.


6. Polêmica com a continuação ("It Starts With Us")


· A sequência, que acompanha o reencontro de Lily com seu primeiro amor, Atlas, foi criticada por alguns como um "final de conto de fadas" que poderia enfraquecer a mensagem original sobre as consequências duradouras do abuso. Outros, porém, celebraram o final mais esperançoso para a protagonista.


7. Adaptação para o cinema


· O anúncio da adaptação cinematográfica, com Blake Lively como Lily, também gerou debates sobre como as cenas de violência serão retratadas e se a história ganhará um tom mais comercial, distanciando-se da crítica social.


Conclusão:


A principal polêmica gira em torno do equilíbrio entre conscientização e entretenimento. Enquanto muitos defendem que o livro dá visibilidade a um tema difícil e mostra a realidade complexa das vítimas, outros acreditam que a narrativa pode, involuntariamente, normalizar padrões abusivos para um público mais jovem e impressionável. A discussão reflete um debate mais amplo sobre como a literatura popular deve abordar temas sensíveis.

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